Vulvite
18 de fevereiro de 2009 | Autor:

Dependendo do agente etiológico, a inflamação da vulva pode aparecer sob diversas formas clínicas.

Vulvite séptica - é causada por bactérias sépticas, determinando a infecção das glândulas anexas (bartholinite e skenite) ou abscesso dos lábios menores do pudendo.


Abscesso de grande lábio

Vulvite aftosa – provavelmente de etiologia virótica ou bacteriana, determina lesões sob a forma de pequenas vesículas ulceradas ou lesões extensas com exudato.


Vulvite aftosa

Úlcera de Lipschütz – apresenta-se sob a forma de úlceras recobertas de secreção purulenta. Sua etiologia é discutível, sendo atribuído ao “Bacillus crassus”.


Úlcera de Lipschültz

Vulvite herpética – causada por herpes-vírus, apresenta-se sob a forma de úlceras múltiplas e confluentes, provocando adenite inguinal.

Herpes genital em adolescente

Vulvite diabética – conseqüente às diabetes melitus, acomete as formações labiais sob a forma de eczema e prurido intenso.

Vulvite sifilítica – seu período primário se traduz pelo cancro duro, e o secundário, pelos condilomas planos, que são pápulas numulares de aspecto hipertrófico.


Vulvite sifilítica

Vulvite verrucosa – o condiloma acuminado, com seu crescimento, pode apresentar aspecto tumoral exofítico (figura 32). A doença causada por vírus, e seu desenvolvimento favorecido pelas condições locais de calor e umidade.


Condiloma acuminado


Molluscum contagioso


Liquen esclero-atrófico – faz parte do quadro das distrofias vulvares crônicas, podendo constituir substrato de inflamações de natureza inespecífica ou micótica. Apresenta-se com aspecto de placas brancas, confluentes e pruriginosas


Líquen esclero-atrófico

Outros casos de Líquen esclero-atrófico:


Líquen esclero-atrófico


Líquen esclero-atrófico


Aderência dos pequenos lábios ou aglutinação das ninfas (pequenos lábios) – a erosão da mucosa de revestimento dos lábios menores têm, provavelmente causa inflamatórias, e se ocorre nos primeiros anos de vida, provoca o acolamento dos lábios menores na linha median (figura 34).


Aderência dos pequenos lábios ou aglutinação das ninfas

Outros casos de aderência labial:


Aderência dos pequenos lábios ou aglutinação das ninfas


Aderência dos pequenos lábios ou aglutinação das ninfas

Secreção sebácea da vulva:


Secreção sebácea

Propedêutica
As diversas formas de vulvite ocasionam irritação do tegumento cutâneo- mucoso da vulva. Tal irritação produz alguns sintomas: dor, disúria, ardor e prurido.

A inspeção nos órgãos genitais externos deve ser feita, em certos casos, com o auxílio de lupa, para se avaliar melhor verificação do aspecto das lesões. Frequentemente é necessária a colaboração do dermatologista, para o diagnóstico das lesões da vulva. O seguintes exames complementares podem ser realizados:
- exame microscópico direto do raspado das lesões.
- exame microscópico em campo escuro.
- cultura das secreções.
- reações sorológicas para diagnóstico de lues.
- dosagem de glicemia.
- pesquisa de glicosúria.
- biópsia.

Tratamento
É variável, dependendo do agente etiológico.

Vulvite aftosa, úlcerativa séptica – cuidados de higiene local pela aplicação de sabões neutros ou desinfetantes. Administração de antibiótico de largo espectro, por via oral ou parenteral. Em caso de abscesso, drenagem cirúrgica.

Vulvite por herpes-vírus – não há tratamento específico para este tipo de vulvite. Recomenda-se o uso de Zovirax tópico, oral ou parenteral, conforme a gravidade do caso.

Vulvite diabética – trata-se a diabete e, havendo infecção local por fungos, aplica-se violeta de genciana, em solução aquosa a 2%, três vezes por semana, no total de seis aplicações.

Vulvite verrucosa – aplicações de podofilina em solução oleosa a 25%, ou exérese cirúrgica, com bisturi elétrico, se as lesões forem grandes e confluentes.

Liquen esclero-atrófico – Recomenda-se aplicação local de corticóides, sob a forma de cremes. Estas lesões tendem a melhorar ou desaparecer na puberdade.

Aglutinação das ninfas – se o acolamento é frouxo, a simples tração lateral das formações labiais separa as ninfas. Seguem-se aplicações locais de crime de estrogênio, durante quinze dias, para facilitar a reepitelização. Se o acolamento é firme, a aplicação do creme de Estrogênios, por quinze dias, deve anteceder a manobra descrita acima. Esta medida facilita a resolução do processo.

figuras 42 e 43
Categoria: Heinz